Por que não usar farda?
A criança de 2 anos deve ir para a escola?
Como fica a questão do limite, já que a expansão lúdica é tão valorizada?

Quando sair do CREAR como será a adaptação da criança em outra escola?







 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por que não usar farda?

A própria dinâmica do trabalho nesta faixa etária (2 a 6 anos), torna o uso da farda desnecessária; as crianças trazem uma demanda, no seu percurso para o crescimento, que vai desde o amadurecimento do controle dos esfíncteres ao tipo de ação que caracteriza suas explorações. As crianças são plásticas por natureza; o contato com elementos sobre os quais possam expressar os seus impulsos "infantis" precisa ser autorizado. Daí que, o uso de vestimentas mais permissivas, mais adequadas a tais disposições e que possam ser trocadas com certa facilidade, deve ser adotado pela escola.

Outro aspecto que questionamos no uso da farda para criança da educação infantil é a idéia do "o que é pertencer"? o sentimento de pertencer, principalmente na infância, não está vinculado à "camisa que se veste"; é compreendido por um sentimento muito mais amplo, sem fronteiras específicas. A segurança oferecida, o acolhimento afetivo, a compreensão do jeito infantil da criança se colocar (inocência), o amor, isto sim, a faz sentir-se pertencente.

 

 

 



A criança de 2 anos deve ir para a escola?

Depende de como é o convívio da criança no ambiente familiar e da escola que é escolhida pelos pais. Muitas vezes, a criança de 2 anos é muito cerceada na expressão dos seus impulsos pelo excesso de proteção dos familiares ou é preservada demais do convívio com outras crianças, o que pode retardar bastante seu processo de socialização. E ainda, se freqüenta uma escola onde fica atendendo a enquadres fechados com relação a expressão dos seus movimentos; criança tão pequena precisa locomover-se nos espaços com freqüência pois é muito corporal.

Atenção portanto, especialmente nesta idade de tanta vulnerabilidade, à pergunta: Com quem deixo meu filho?

 

 

 



Como fica a questão do limite, já que a expansão lúdica é tão valorizada?

"O brincar é a linguagem essencial da criança" Bruno Bettelhaim. É pois desta perspectiva que convivemos com nossas crianças; o limite se faz presente neste convívio quando entendido como um ato da colocação adequada de autoridade, de compromisso, de amor pela criança. Educar compreende total envolvimento do adulto na relação com a criança pela qual se responsabiliza; dizer "sim" ou "não" é da alçada adulta neste compromisso.

 

 

 



Quando sair do CREAR como será a adaptação da criança em outra escola?

Desde muito cedo, a criança aqui no CREAR, é encorajada a vivenciar desafios diferenciados, a expressar seus impulsos mais individualizados na dinâmica do grupo. Consensuar pois, com diversas opiniões e demais necessidades de mudanças, são exercícios bem conhecidos por elas; a mudança de escola não as faria recuar desta postura. Tal atitude, inclusive, não é o que consta no depoimento das crianças que já se foram para outros espaços.

Outro elemento facilitador no momento da mudança da escola, é a indicação que o CREAR costuma fazer; abrimos um leque de possíveis escolhas para os pais. Indicamos escolas que tenham uma postura mais condizente com o compromisso de viabilizar maior autonomia à criança na busca do conhecimento. Agora, já com 7 anos, a criança está numa outra etapa do seu desenvolvimento; já pensa o mundo com outra disposição. Segundo Piaget, "nesta faixa etária, a brincadeira da criança efetivamente se sociabiliza, adotando uma postura de respeito às regras sociais e de cooperação com outro".

Mudar de escola não constitui necessariamente um conflito.