"Tudo o que se ensina à criança a impede de inventar ou descobrir"
(Piaget)

A criança representa o que vivencia, o que é real. Sua representação é feita pela brincadeira simbólica; usa a imaginação, a fantasia e molda a realidade em seu benefício atendendo aos seus desejos e propósitos mais subjetivos.

À medida que a criança cresce, ela continua a representar suas experiências porém com uma leitura da realidade mais ampla, cada vez mais distanciada de um olhar egocêntrico. Assim, com um alcance mais objetivo e socializado nas suas ações, a representação da criança se aproxima mais do mundo real.

Portanto, o desenho, a dramatização, a criação de brinquedos com objetos móveis, com sucatas, etc, a composição com elementos plásticos (tinta, areia, água, argila, etc) inclusive, a linguagem da criança e o jeito como são vivenciados, expressam as representações peculiares ao mundo infantil.


O DESENHO INFANTIL

"O desenho é uma forma de raciocinar sobre o papel"
Saul Steimberg

"O desenho é uma dança no espaço, uma forma de se explorar um espaço novo"
Derdyek (1984)

"O desenho aparece quando a linguagem falada já alcançou grande progresso e já se tornou habitual na criança e, quando a criança percebe a dificuldade de desenhar todas as palavras, a escrita pictórica dá lugar a ideográfica, ainda que nunca o desenho venha a ser totalmente substituído pela escrita."
Vigotsky (1984)

O desenho infantil é uma linguagem e como tal não se ensina. Ele nasce contextuado no processo da criança, ou seja, não é uma expressão vazia mas carregada de significados que, por serem mais subjetivos, escapam às interpretações generalizadas. Ao desenhar, a criança se acalma, aplaca ansiedades, expressa sentimentos, vontades e idéias representando graficamente sua realidade, suas percepções das experiências na relação com o que vivencia.

Portanto, desenhar é um ato natural da criança e "desde muito cedo, a criança interessa-se por se expressar através do desenho. Toda criança desenha, basta ter um instrumento que deixe uma marca - dedo, varinha, lápis, pincel ou carvão - e uma superfície para marcar - papel, vidro, parede, areia ou chão"
Kátia Cristina Smole

Como o desenho é uma ação que revela a expressão da criança como sujeito atuante na interação com o que a cerca, ele é objeto de conhecimento. Como diz Smole "No ato de desenhar, manifestam-se operações mentais como imaginação, lembrança, sonho, observação, associação, relação, simbolização, estando por isso implícita ao desenho uma conversa entre o pensar e o fazer". Esta conversa expressa também o grau de maturidade da criança, ou seja, o que suas estruturas mentais lhe possibilita.